13/11/2010
Número de mulheres mortas este ano na PB já supera o ano passado



O número de mulheres assassinadas este ano na Paraíba pelos namorados, noivos, maridos ou ex-companheiros já ultrapassou a quantidade registrada no ano passado. Segundo dados do Centro da Mulher 8 de Março, de janeiro a outubro de 2010 foram contabilizados 47 casos; em 2009, foram 46. Para a coordenadora geral da instituição, Valquíria Alencar, os números refletem a falta de mecanismos de proteção, como casa-abrigo, para as mulheres vítimas da violência doméstica. Enquanto isso não é feito, mulheres continuam a morrer no Estado.
Segundo informações do Centro 8 de Março, entre os anos de 2007 e 2009, 136 mulheres foram assassinadas pelos seus parceiros. Além disso, 118 foram vítimas de tentativa de homicídio e 223 estupradas. Este ano, já são 47 mortes e 123 estupros. “Isso mostra que a violência contra a mulher na Paraíba explode em números”, declarou Valquíria Alencar. “Todas as iniciativas do movimento de mulheres têm esbarrado no descaso e na desatenção do Tribunal de Justiça para com o cumprimento da Lei Maria da Penha”, completou a coordenadora.
A luta pelo fim da violência contra a mulher vem, a cada dia, ganhando mais força na Paraíba. Ontem, familiares de mulheres assassinadas na Grande João Pessoa foram às ruas clamar por Justiça e pedir o fim da violência. Na realidade, o protesto foi pelo fim da violência em geral e contra o fim da impunidade. Com faixas, cartazes e muita revolta, cerca de dez famílias que perderam alguém de forma violenta fizeram um protesto que chamou a atenção de quem passou pelo local.
Entre os manifestantes estavam Glauce e Elane Belmont, mãe e irmã do bancário Everton Belmont, respectivamente. Everton foi morto no mês de março, em um bar no bairro de Jaguaribe. O acusado do crime, Wagner Soares, diz que atirou em legítima defesa, o que é contestado pelo Ministério Público, que pretende levá-lo a júri popular por homicídio doloso. Ontem, o bancário completaria 28 anos. “Estamos aqui para reforçar o pedido por Justiça, não apenas pelo meu filho, mas por todas as pessoas que foram assassinadas inocentemente”, declarou Glauce. Ontem à noite, na Igreja São Gonçalo, foi realizada uma missa pelos oito meses da morte do bancário.
O vigilante José Rosendo da Silva Neto teve a filha de 17 anos, Marcilene Rosendo da Silva, assassinada no mês passado em Bayeux. Ela foi morta, segundo a apuração policial, pelo ex-companheiro a pauladas, dentro de casa. “A dor é muito grande, não tem como descrever, mas nossa luta deve ser maior, senão teremos a cada dia mais pessoas assassinadas covardemente, como minha filha foi”, desabafou. O acusado de matar a adolescente continua foragido. Com o semblante visivelmente abatido, a mãe da vítima passou todo o protesto segurando a foto da filha.
Compartilhando dores semelhantes, os familiares decidiram criar um grupo de protesto intitulado ‘Mães com dor’. Parentes de vítimas como a jovem Vanessa Maria, 19, também participaram da manifestação. Estavam presentes ainda Hipernestre Carneiro, mãe da estudante Aryane Carneiro, 21, morta em abril passado. O Ministério Público atribui a autoria do crime ao estudante Luiz Paes Neto, 23, pai do bebê que a vítima esperava. “Estamos unindo nossas dores para fortalecer nossa luta. Queremos os assassinos na cadeia. É o mínimo para quem tirou a vida de nossos filhos”, finalizou.



FONTE: Redação - Jornal da Paraiba


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